Origem dos Jogos Olímpicos da Antiguidade
Posted: julho 6th, 2012

Uma história tão mítica como real. Um sonho de paz e fraternidade, que transcendeu o tempo. Tudo começou no ano de 776 a.C., no Vale Sagrado de Olímpia. Ali foi realizado um festival em homenagem a Zeus, assim como uma corrida de 192 metros para demonstrar as habilidades dos atletas e incentivar as boas relações entre as pólis. O atleta Corebos, da Élida, foi o primeiro a cruzar uma linha de chegada, o primeiro campeão olímpico.

A partir desse momento, os jogos passaram a se realizar a cada quatro anos. Esse período tornou-se uma nova forma de medir o tempo: uma olimpíada – o período de quatro anos entre os jogos olímpicos.

Desde seus primórdios, os Jogos representavam a paz. Antes do início do evento, proclamava-se a trégua sagrada ou Ekecheira, um pacto internacional firmado no ano de 884 a.C. pelos reis Licurgo (Esparta), Cleóstenes (Pisa) e Ifito (Élida). Este pacto estabelecia a suspensão de toda atividade bélica e a promoção de Olímpia a território sagrado e inviolável durante os Jogos.

Ao longo do tempo, os Jogos Olímpicos cresceram até incorporar mais dias e modalidades esportivas: corridas, saltos, lançamentos, lutas e competições hípicas. As mulheres eram proibidas de participar, sob pena de morte. Olímpia recebia os atletas, políticos e personalidades mais importantes da época.

O prêmio dos vencedores era uma coroa de folhas de oliveira selvagem.

O fim

No auge dos chamados Jogos Olímpicos da Antiguidade, a corrupção começou a corroer seus valores originais. Os melhores atletas eram premiados com pensões e dispensados de pagar impostos, gerando disputas, apostas e trocas de favores.

Com as guerras e invasões estrangeiras, os territórios gregos se tornaram uma província romana. No ano de 393 a.C., o imperador Teodósio, o Grande, promulgou um decreto proibindo as cerimônias pagãs e os Jogos Olímpicos. Com o posterior desaparecimento de Olímpia, chegava ao fim os Jogos Olímpicos da Antiguidade. No entanto, seu mito permaneceu até os dias de hoje.

Um novo começo

No final do século 18, um conjunto de educadores e pedagogos britânicos promoveu a educação física e esportiva do indivíduo. O movimento ganhou força, e o pastor anglicano Thomas Arnold tornou-se o artífice de uma revolução esportiva na Inglaterra. Arnold, diretor da Escola de Rúgbi de 1828 a 1842, baseou seu sistema educacional no esporte e na competição. Sua ideia transcendeu fronteiras, e foi nesse ambiente favorável que surgiu a figura do francês Pierre de Fredy, Barão de Coubertin.

Pierre de Coubertin, o sonhador

Pierre de Coubertin nasceu em Paris em 1863. Influenciado pelo espírito dos Jogos da Antiga Olímpia e o método educacional implantado por Arnold, aos vinte anos decidiu trabalhar na reforma educacional de seu país.

Fiel a suas convicções, o Barão de Coubertin propôs a restauração dos Jogos Olímpicos em 25 de novembro de 1892, em uma reunião realizada na Universidade de Sorbone. Suas ideias foram aplaudidas, mas ninguém pareceu compreendê-lo. Apesar disso, Pierre buscou apoiadores, e em uma nova reunião ocorrida em 1894, a restauração dos Jogos Olímpicos foi aprovada por unanimidade. Nascia assim o Comitê Olímpico Internacional (COI), com o objetivo de organizar os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna. Pierre de Coubertin propôs a realização desses Jogos em 1896 em Atenas, muito próximo das terras que o haviam inspirado. A partir dessa data e até 1925, o barão foi presidente do COI.

De Coubertin faleceu em Genebra em setembro de 1937, mas deixou como legado uma grande obra: o Olimpismo e os Jogos  Olímpicos, a concepção do esporte como parte fundamental da educação e o desenvolvimento do indivíduo. Também promoveu a prática do esporte “para todos”, sem nenhum tipo de discriminação, embora inicialmente tenha se oposto à participação das mulheres nas provas de atletismo. Ele não se deteve diante de pressões políticas nem econômicas, e conseguiu unir as nações em um espírito de paz, amizade e respeito.

Os Jogos Olímpicos modernos

A partir dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, celebrados em Atenas em 1896, eles passaram a ser realizados a cada quatro anos e sempre em uma cidade diferente – e não em uma única cidade, como ocorria na Olímpia da Antiguidade.

O primeiro campeão olímpico da era moderna foi o saltador norte-americano James Connolly.

Depois de Atenas, os Jogos de Paris em 1900 marcam a estreia das mulheres em diversas modalidades. Desde então, as mulheres passaram a se inscrever em praticamente todos os esportes.

Em Estocolmo (1912), compareceram pela primeira vez delegações dos cinco continentes, e os cinco anéis olímpicos adquiriram pela primeira vez um significado real. O mundo inteiro participava de um evento esportivo para todos.

O progresso dos meios de transporte intercontinentais influiu no crescimento das Olímpiadas e de seu número de participantes.

Antes da Segunda Guerra Mundial, somente cidades europeias sediavam os jogos, com exceção de dois eventos nos Estados Unidos (Saint Louis e Los Angeles). Em 1956, foram realizados pela primeira vez na Oceania (Melbourne). Em 1964, ocorreram na Ásia (Tóquio), e em 1968, pela primeira vez na América Latina (México). A África é o único continente que ainda não sediou os jogos.

A inclusão ou eliminação das disciplinas esportivas no programa olímpico está sujeita às decisões do Comitê Olímpico Internacional. Para que um esporte seja olímpico, deve estar regido por uma Federação Internacional reconhecida pelo COI.

Os meios de comunicação contribuíram para a popularidade dos Jogos Olímpicos. Uma de suas principais atrações é a cerimônia de abertura, evento onde desfilam delegações de vários países do mundo, a pira olímpica é acesa com a chama vinda das ruínas da antiga Olímpia.

Em Londres 2012, mais de 10.500 atletas competirão em 26 modalidades esportivas.

 

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